Vento norte a 200 km/h · Casa / Lares R10

Verificação preliminar das duas variantes, 3 de outubro de 2026. Não constitui projeto de estabilidade. Estima as ações do vento norte, identifica os elementos e ligações críticos e indica ordens de grandeza para o engenheiro de estruturas. As secções, ligações e fundações continuam por dimensionar.

1. Ação de cálculo

O cliente define o critério: vento norte de 200 km/h, entendido como rajada de pico (3 s), aplicado em toda a altura do edifício.

Para referência, a NP EN 1991-1-4 (velocidade de referência vb,0 = 27 m/s na Zona A; 30 m/s na Zona B, faixa costeira) dá, com cdir = cseason = co = 1:

Zona Terreno z (m) qp (kPa) Rajada equivalente (km/h) 200 km/h / NP EN
A II 6,3 0,94 140 2,05
A II 8,0 1,01 145 1,91
A III 6,3 0,65 116 2,98
A III 8,0 0,71 122 2,70
B II 6,3 1,16 155 1,66
B II 8,0 1,24 161 1,55
B III 6,3 0,80 129 2,42
B III 8,0 0,88 135 2,19

O sítio, a cerca de 6 km da costa, ficará previsivelmente na Zona A, a confirmar pelo projetista. O critério do cliente corresponde a 1,5 a 3 vezes a pressão regulamentar: é uma hipótese de tempestade extrema, não o valor normativo. Aplicando ainda γQ = 1,5, a ação de cálculo fica 2,3 a 4,5 vezes acima da regulamentar. Por isso as verificações indicam também a razão com γ = 1 (vento de 200 km/h sem majoração, peso sem minoração): elementos com razão ELU próxima de 1 e razão γ = 1 inferior a 1 resistem ao critério do cliente, mas sem a margem regulamentar.

2. Método e hipóteses comuns

Vento norte, telhado tradicionalVento norte, casa com estufa

3. Telhado tradicional

Cobertura de duas águas a 30°, 38,8 × 8,9 m em planta, cumeeira a 6,27 m acima do piso, beirado a 3,61 m. Habitação fechada sob a cobertura entre x = 0 e 25,0 m; alpendre poente e estacionamento abertos nos topos. e = min(b; 2h) = 12,55 m.

Coeficientes (θ = 0°, α = 30°): F e G −0,5 (cpe,1 −1,5) ou +0,7; H −0,2 ou +0,4; I −0,4; J −0,5. Paredes: D = +0,80, E = -0,49.

Ações globais (características)

Grandeza Valor
Sucção total na cobertura, casa fechada 466 kN
Sucção total na cobertura, abertura a norte (cpi +0,72) 626 kN
Peso próprio da cobertura 442 kN (1,28 kN/m² em planta)
Força horizontal: paredes 194 kN
Força horizontal: cobertura (água norte em pressão) 147 kN
Força horizontal total para sul 341 kN (≈ 35 t)
Peso estimado acima do pódio 647 kN
Derrube em torno da linha sul de pilares 2 425 kNm (3 083 com abertura a norte) contra 2 997 kNm
Ancoragem média na linha norte (ELU) ≈ 3,1 kN/m; nos topos abertos ≈ 30 kN por asna

Levantamento por asna (faixa de influência de cada asna; reações nas linhas de pilares a norte e a sul; ELU = 1,5 W − 0,9 G; acidental = W − G com abertura a norte)

Asna x (m) Faixa (m) Aberta Sucção (kN) Sucção, abertura N (kN) Peso (kN) Tração ELU N / S (kN) Tração acidental N / S (kN)
-6,05 1,88 sim 37,2 37,2 21,3 18,2 / 18,4 7,9 / 8,0
-3,00 3,03 sim 60,0 60,0 34,4 29,4 / 29,7 12,7 / 12,9
0,00 3,50 sim 45,2 57,9 39,8 20,1 / 11,8 12,9 / 5,2
4,00 4,00 não 30,8 56,3 45,5 11,0 / 0,0 13,3 / 0,0
8,00 4,00 não 30,8 56,3 45,5 11,0 / 0,0 13,3 / 0,0
12,00 4,00 não 30,8 56,3 45,5 11,0 / 0,0 13,3 / 0,0
16,00 4,00 não 30,8 56,3 45,5 11,0 / 0,0 13,3 / 0,0
20,00 4,00 não 30,8 56,3 45,5 11,0 / 0,0 13,3 / 0,0
24,00 4,00 não 42,9 62,1 45,5 18,0 / 5,5 14,2 / 2,4
28,00 3,11 sim 61,7 61,7 35,4 30,2 / 30,5 13,1 / 13,3
30,22 2,02 sim 40,2 40,2 23,0 19,7 / 19,9 8,5 / 8,6
32,05 1,27 sim 25,1 25,1 14,4 12,3 / 12,4 5,3 / 5,4

Elementos

Elemento Esforço (ELU) Razão ELU Razão γ = 1 Notas
Caibro 80×240 C24 · vão 2,31 m · zona F aberta M = 2,19 kNm 0,14 0,09 cp,net = -2,17 (cpe para 1,4 m², +0,8 sob o alpendre)
Terça 140×220 C24 · vão 4,0 m · zona F/G aberta M = 14,50 kNm (flexão desviada 30°) 0,89 0,51 cp,net = -1,33; EN 1995 6.1.6, km = 0,7
Pilar de varanda 160×160 C24 · tração N = 30,5 kN 0,10 0,05 maior tração em apoio de asna (ELU ou acidental); a ligação ao betão deve resistir a este valor
Pilar IPE240 da casa como consola (sem contraventamento) M = 58,7 kNm por pilar 0,77 0,51 força horizontal repartida por 18 pilares; paredes a meia altura, cobertura no topo; Wel = 324 cm³
Telha cerâmica · fixação sucção local 2,89 kPa (car.) 10,72 6,43 cpe,1 = −1,5 na zona F, caixa de ar ventilada sob a telha; razão = sucção / peso próprio. >1 exige fixação mecânica

Pressões de cálculo para revestimentos, caixilharia e vidro (valores a pedir aos fornecedores; cpe,1 para elementos pequenos)

| Superfície | |cpe − cpi| | Característica (kPa) | ELU (kPa) | Abertura a norte, γ = 1 (kPa) | |---|---:|---:|---:|---:| | Fachada norte · painéis e janelas (zona D) | 1,30 | 2,51 | 3,76 | – | | Fachada poente envidraçada da casa (zona A, junto ao canto norte) | 1,60 | 3,09 | 4,63 | 4,08 | | Forro da cobertura sob o alpendre (zona F, face inferior +0,8) | 2,30 | 4,44 | 6,66 | – |

Leitura. Com valores característicos, o peso da cobertura de telha (1,28 kN/m²) equilibra a sucção sobre a habitação fechada. Com os coeficientes de segurança, ou com uma janela ou porta partida a norte (a sucção total sobe 34%), as asnas da habitação também ficam em tração: todas as asnas precisam de ligação ao apoio, dimensionada para a tração indicada no quadro. Sob o alpendre e o estacionamento abertos o vento atua por baixo e por cima: aí a tração chega a cerca de 30 kN por apoio. As telhas têm de ser todas fixadas mecanicamente (pregos, parafusos ou grampos), com reforço nas faixas de beirado, cumeeira e empenas: a sucção local é cerca de seis vezes o peso de cada telha. Caibros, terças e pilares de madeira, isolados, resistem. A força horizontal de cerca de 341 kN exige contraventamentos ou paredes resistentes (OSB) e um diafragma de cobertura: os pilares IPE240 em consola resistem em tensão, mas com deslocamentos e encastramento nas bases que não estão garantidos.

4. Casa com estufa

Estufa superior em policarbonato alveolar, 32,0 × 7,9 m, piso a +3,24 m, beirado a +6,23 m e lanternim a +7,97 m. A cobertura é um arco abatido (flecha 0,98 m, f/d = 0,12) com lanternim. Os coeficientes resultam da envolvente de duas leituras: a Figura 7.11 para coberturas em arco (h/d ≥ 0,5: A −1,0, B −0,9, C −0,4, leitura aproximada do gráfico a confirmar) e o Quadro 7.4a equiparando a cobertura a duas águas de 15° (F −0,9 / cpe,1 −2,0; G −0,8; H −0,3; I −0,4; J −1,0). Em cada ponto usa-se o valor mais desfavorável. Paredes: D = +0,80, E = -0,50. O estacionamento sob a estufa é aberto: o pavimento da estufa sobre ele recebe o vento por baixo.

Ações globais (características)

Grandeza Valor
Sucção na cobertura, estufa fechada (cpi +0,2) 497 kN
Sucção na cobertura, abertura a norte (cpi +0,72) 750 kN
Peso próprio da cobertura de policarbonato 27 kN (0,11 kN/m²)
Pavimento da estufa sobre o estacionamento aberto 52 kN para cima
Força horizontal total para sul 377 kN (≈ 38 t)
Peso estimado acima do pódio 445 kN
Derrube em torno da linha sul 3 466 kNm (4 244 com abertura a norte) contra 2 066 kNm
Ancoragem média na linha norte (ELU) ≈ 13,3 kN/m

Arcos da cobertura (faixa de 4 m; arco tratado como viga simplesmente apoiada nos topos das paredes; ELU e acidental com abertura a norte)

Arco x (m) Sucção (kN) Sucção, abertura N (kN) Peso (kN) Tração ELU N / S (kN) Acidental N / S (kN) M ELU / acid. (kNm) W necessário (cm³)
0 31,0 46,9 1,7 25,0 / 20,0 24,3 / 20,9 47,4 / 46,5 202
4 62,1 93,8 3,4 50,1 / 40,1 48,5 / 41,9 94,8 / 93,1 404
8 62,1 93,8 3,4 50,1 / 40,1 48,5 / 41,9 94,8 / 93,1 404
12 62,1 93,8 3,4 50,1 / 40,1 48,5 / 41,9 94,8 / 93,1 404
16 62,1 93,8 3,4 50,1 / 40,1 48,5 / 41,9 94,8 / 93,1 404
20 62,1 93,8 3,4 50,1 / 40,1 48,5 / 41,9 94,8 / 93,1 404
24 62,1 93,8 3,4 50,1 / 40,1 48,5 / 41,9 94,8 / 93,1 404
28 62,1 93,8 3,4 50,1 / 40,1 48,5 / 41,9 94,8 / 93,1 404
32 31,0 46,9 1,7 25,0 / 20,0 24,3 / 20,9 47,4 / 46,5 202

Elementos

Elemento Esforço (ELU) Razão ELU Razão γ = 1 Notas
Arco da cobertura 35×35 (modelo) a 4,0 m M = 94,8 kNm 56,48 55,44 viga simplesmente apoiada 7,9 m em planta, maior de ELU e acidental; W necessário ≈ 404 cm³
Alternativa: arcos a 1,0 m · RHS 200×100×5 M ≈ 23,7 kNm 0,66 0,98 indicativo, S235, sem curvatura nem estabilidade
Montante da fachada norte 35×35 (modelo) a 2,0 m M = 7,4 kNm 4,42 2,95 vão 2,99 m; cpe = 0,84, cpi = −0,3; W necessário ≈ 32 cm³
Alternativa: montante RHS 120×60×4 M = 7,4 kNm 0,74 0,50 indicativo
Policarbonato alveolar · fixação nos perfis sucção até 6,4 kPa (zona F) – – sob sucção o painel flete e sai do perfil antes de partir: vão, engate e perfis de aperto pelas tabelas de carga do fabricante para estas pressões
Pilar superior IPE240 a 4 m como consola M = 63,4 kNm 0,83 0,56 fachada + metade da componente horizontal da cobertura, eixo forte
Pilar IPE240 do piso térreo como consola (sem contraventamento) M = 88,1 kNm por pilar 1,16 0,77 estufa e cobertura aplicadas ao nível do piso superior, paredes a meia altura; 16 pilares
Pérgola poente · pilar duplo pé-direito, trepadeiras densas a norte M = 202 kNm 2,65 1,76 cf = 1,2 sobre 3,0 × 6,22 m, consola; comparado com IPE240. Exige travamento à casa
Sombreador têxtil do pátio (aberto) 46 kN car. – –

Pressões de cálculo para caixilharia e policarbonato

| Superfície | |cpe − cpi| | Característica (kPa) | ELU (kPa) | Abertura a norte, γ = 1 (kPa) | |---|---:|---:|---:|---:| | Fachada norte em policarbonato (zona D) | 1,30 | 2,51 | 3,76 | – | | Topos nascente e poente da estufa (zona A) | 1,60 | 3,09 | 4,63 | 4,09 | | Cobertura, faixa de beirado norte e topos (zona F) | 2,20 | 4,24 | 6,37 | 5,25 | | Cobertura, zona corrente (A/B da Fig. 7.11) | 1,20 | 2,31 | 3,47 | 3,32 |

Leitura. A cobertura de policarbonato pesa cerca de 0,11 kN/m², uma pequena fração das sucções de 2,0 a 3,0 kN/m²: toda a sucção tem de ser ancorada, dos painéis aos arcos, dos arcos às paredes e destas ao betão. Os perfis de 35 mm do modelo são representação, não estrutura: os arcos a 4 m precisariam de cerca de 404 cm³ (mais do que um IPE 240), ou arcos a 1 m de secção tubular corrente. Os painéis vencem 4 m entre arcos no modelo: são necessárias travessas secundárias, com o afastamento dado pelas tabelas de carga do fabricante para 6,4 kPa. Em policarbonato alveolar o modo de rotura habitual é o painel fletir e sair do perfil: os perfis de aperto, o engate nas bordas e as juntas são tão importantes como a espessura. As ventilações e portas a norte devem fechar e resistir à tempestade: aberta, a pressão interior aumenta a sucção na cobertura cerca de 51%. O piso térreo leva a força horizontal da estufa a maior altura: os pilares IPE240 em consola não chegam e o contraventamento é obrigatório. O sombreador do pátio tem de ser recolhido e a pérgola de duplo pé-direito, se coberta de trepadeiras, tem de ser travada à casa.

5. Contentores e vedação

Contentores existentes (dois de 6 m lado a lado, vazios, tara assumida 22 kN cada, sobre blocos de 0,15 m):

Grandeza Valor
Força horizontal no par 28,7 kN
Sucção na cobertura do par (face inferior +0,2) 43,3 kN
Sucção no contentor norte isolado 30,2 kN contra 22 kN de peso
Derrube do par (razão ELU) 2,71
Ancoragem necessária por canto (par ligado, ELU) ≈ 16,9 kN

Vazios e soltos, os contentores levantam e tombam a 200 km/h. Devem ser ligados entre si (cantos ISO) e ancorados aos blocos ou a maciços, ou mantidos carregados. A sucção no contentor norte isolado excede o seu peso.

Vedação em rede ovelheira (CHS 48,3×3,2 S235 (valor corrente; o modelo usa Ø48 maciço), postes a 3,0 m, altura 1,50 m):

Situação Força por poste (kN) M ELU (kNm) Razão ELU
rede limpa (φ ≈ 0,03) 0,48 0,54 0,48
rede colmatada por folhas ou trepadeiras (φ ≈ 0,30) 3,29 3,70 3,29

Limpa, a rede deixa passar o vento e os postes correntes chegam. Se for colonizada por trepadeiras ou acumular folhas, comporta-se como um muro e os postes de 48 mm dobram: manter a rede limpa ou usar postes mais robustos e escoras nos cantos.

6. Comparação e recomendações

Telhado tradicional Casa com estufa
Força horizontal total 341 kN 377 kN
Sucção na cobertura, fechada 466 kN 497 kN
Sucção na cobertura, abertura a norte 626 kN 750 kN
Peso próprio da cobertura 442 kN 27 kN
Sucção / peso da cobertura (fechada) 1,06 18,50
Maior tração num apoio de cobertura, ELU 30 kN (asna) 50 kN (arco)
Maior tração num apoio de cobertura, acidental 14 kN (asna) 49 kN (arco)
Elementos do modelo que não resistem nenhum isolado; faltam ligações, fixação das telhas e contraventamento arcos e montantes de 35 mm, painéis sem travessas, pilares do piso térreo sem contraventamento, pérgola com trepadeiras
  1. O telhado tradicional é a variante mais robusta ao vento norte. O peso da telha equilibra grande parte da sucção e a cobertura não depende de painéis leves. Os pontos críticos são as ligações das asnas (todas), a fixação de todas as telhas, as janelas e portas a norte e a poente e o contraventamento horizontal.
  2. A estufa é viável apenas com uma estrutura própria, não com os perfis representados: arcos mais próximos ou mais fortes, travessas secundárias, policarbonato bem fixado nos perfis, ancoragens contínuas até ao betão, contraventamento do piso térreo e ventilação que feche de forma estanque e resistente durante a tempestade.
  3. Em ambas: ancorar a estrutura ao pódio, prever contraventamento em planta e em alçado, ligar e ancorar os contentores, e confirmar o critério de 200 km/h e a exposição do sítio com o projetista.

7. Limitações